sábado, 13 de fevereiro de 2010

Homens com Biografia

Segundo Josias de Souza, em dezembro passado, Luiz Inácio fez pouco caso dos vídeos que mostraram os escandalosos flagrantes de propinas ocorridas no DF. As imagens não falam por si”, teria dito o presidente, para quem era preciso esperar pelo término das investigações. “Aí você pode fazer juízo de valor. E mesmo assim quem vai fazer é a Justiça”.
Ontem, quinta-feira, destacou a imprensa que Stalinácio lamentou as circunstâncias que levaram à decisão da Justiça de decretar a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e pediu cautela à Polícia Federal em seu procedimento, evitando que haja exposição da figura do preso, por se tratar de uma autoridade.
Em junho do ano passado, por ocasião do escândalo dos "atos secretos" no Senado - mais uma das muitas canalhices na política brasileira que não deu em nada -, o apedeuta-mor saiu em defesa do seu mais recente amigo, à época, "Não li a reportagem do presidente Sarney, mas eu penso que o Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como uma pessoa comum".
Entende-se a preocupação do Vosso Líder. Afinal, quem é "otoridade", com biografia, tem não só o direito como o dever de aparelhar sua instituição com parentes e "cumpanhêrus", desviar verbas públicas, corromper opositores, mentir, desrespeitar leis e, ainda, descaradamente discursar alegando inocência ou desconhecimento sobre suas safadezas quando pego com a mão na botija.
José Roberto Arruda, 56 anos de idade, com cerca de 20 destes na vida política, onde foi alçado pelas mãos de Joaquim Roriz, não pode ter seu prontuário, digo, biografia, comparada à de José Sarney, que completará 80 anos no próximo abril, e que anda pendurado nas tetas públicas desde 1954.
Se o Imperador LI LI (Luiz Inácio 51) não defender estes corruptos com "biografia" essa coisa de prender político safado poderá alcançá-lo. Sob sua ótica, todos os meios e chicanas políticas e jurídicas devem ser postas a serviço da defesa dessas pessoas importantes.
Já o General-de-Exército Maynard Marques de Santa Rosa com 65 anos de idade e que serviu em 27 Organizações Militares ao longo de 48 anos de serviço, dentro e fora da Força, sendo 10 anos na Região Amazônica, não parece ter uma biografia respeitável aos olhos do Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Brasileiras. Nem mesmo as habilitações obtidas pelos cursos regulares de formação e aperfeiçoamento, os de especialização de Guerra na Selva (1969), Ações de Comandos (1972) e Operações em Montanha (1991), além do Curso de Política e Estratégia, realizado no Army War College dos Estados Unidos da América, em 1988 e 89 parecem ter algum significado para o caçador de ponto G.
Ao final de sua brilhante carreira profissional eivada de êxitos em missões voltadas ao serviço da Pátria, o General foi punido por expressar sua opinião contrária ao decreto que pretende implantar de vez a ditadura do proletariado em nosso país. O ato que sequer deveria ensejar uma advertência provocou a exoneração do oficial do cargo de Chefe do Departamento-Geral do Pessoal da Força Terrestre. Oficialmente, a proposta teria sido uma iniciativa do Comandante do Exército, encaminhada ao Presidente pelo ministro que gosta de fantasiar-se de milico. Aquele mesmo que confessou ter fraudulentamente alterado dois artigos por ocasião da elaboração da Constituição Federal.
Se Lula aceitou e ratificou tão rapidamente a proposta de exoneração é por que considera um general-de-exército “um qualquer”. Isto ele já havia demonstrado em dezembro de 2003 por ocasião do almoço no Clube do Exército, quando expressou-se delicadamente ao "bando de generais". Enfim, é nisso que dá os oficiais-generais não povoarem as manchetes dos jornais que tratam de maracutaias, desvios de verbas públicas, mau uso de cartão corporativo, até por que, sequer gerenciam volumes de dinheiro que permitam tais atos - que poderiam "enriquecer" seus prontuários, digo, biografias sob o ponto de vista presidencial.
Charges copiadas de Sponholz
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