sábado, 4 de julho de 2009

Histórias que a Mídia Não Conta

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Parte I 
por Arlindo Montenegro
Minha gente! Vou contar o que aconteceu pela segunda metade do século passado, do jeito que vi, vivi e senti. Naquele tempo eram os comunistas da União Soviética de um lado e os governantes norte americanos do outro lado do planeta, medindo forças, contando ogivas nucleares que somente as duas "potências mundiais" possuíam. O mundo vivia tenso enquanto eles ditavam as regras para os que estavam sob sua influência.
Por aqui, no hemisfério ocidental, os povos se reconheciam como integrantes da "civilização cristã". Na URSS e nos países onde os exércitos soviéticos impuseram sua forma de governo depois da Segunda Guerra Mundial, a prática de qualquer religião era proibida, como se a fé dos antepassados fosse um atentado contra o Estado, para quem toda religião era considerada como "ópio do povo". Por lá, os templos foram fechados e profanados e os religiosos enviados para os campos gelados da Sibéria e os judeus perseguidos como na Alemanha nazista.
Como Hitler, Lenin, Stalin e seus sucessores queriam dominar todo o planeta. E a URSS espalhava agentes em todos os países, para divulgar as “maravilhas de um mundo gentil, pacífico e grandioso proporcionado pelo estado comunista” que prometia o milagre da partilha: primeiro "a cada um segundo seu trabalho", e depois a igualdade total: "a cada um segundo sua necessidade". Com muita propaganda mentirosa.
Os ditadores das republiquetas caribenhas e sul americanas eram figuras grotescas, velhos oligarcas que se mantinham no poder apoiados em crendices, milícias e potentados oligarcas. Ao conhecer a História das Américas e do mundo, os estudantes de nível médio já eram informados sobre ditaduras e ditadores: Salazar em Portugal, Franco na Espanha, Duvalier no Haiti com seus tonton macute, Stroessner no Paraguai, Getúlio que havia reinado no Brasil, Perón na Argentina... e ditadores, nos ensinavam: eram o atraso!
Cuba, uma ilha do Caribe que a gente conhecia mais pelas histórias de piratas, funcionava econômica e culturalmente como protetorado norte americano, também tinha seu ditador: Geraldo Machado. Em 1933, um sargento de nome Fulgêncio Batista promoveu um golpe militar e tomou o poder. Dizem que ele conseguiu reduzir a influência dos norte americanos e melhorar a economia. O fato é que promoveu eleições e foi eleito. Em 1952, contou com apoio de vários partidos, inclusive o Partido Comunista Cubano, para dar novo golpe, promulgar uma Constituição e continuar mandando no pedaço.
Cuba ocupava o oitavo lugar entre as 20 maiores economias latino americanas. A grana dos negócios mafiosos, jogatina, drogas, prostituição e corrupção corria solta. No cenário da guerra fria, todos queriam uma boquinha e alardeavam boas intenções para mobilizar a classe média, os pobres e os estudantes contra o sargento ditador. No 26 de Julho de 1953, o estudante de direito Fidel Castro, com um grupinho, assaltou um quartel (Moncada) em Santiago, maior cidade depois de Havana. No entrevero Castro foi preso. Julgado e condenado a 15 anos.
Mas uns padres amigos da família pediram e Batista deixou o moço, descendente de aristocratas espanhóis, partir para o exílio no México onde ficou até fins de 1958, juntando exilados compatriotas, treinando táticas e técnicas militares para voltar a Cuba e enfrentar Batista. Percebeu que, com grana podia comprar, corromper, prometer, mentir, enganar e obter os apoios necessários.
Nesse meio tempo, em 1954, depois de andar feito hippie (mochileiro) pela Bolívia, Peru, Panamá, Colômbia, Equador, Costa Rica, El Salvador e Guatemala, chegou ao México o argentino Ernesto Guevara, com intenção de seguir para os Estados Unidos e ganhar dinheiro. Conheceu Raul Castro e abraçou a aventura. Foi admitido por Fidel, para integrar o grupo (na maioria cristãos e contrários ao marxismo), na qualidade de médico.
Logo surgiram animosidades entre os conspiradores e o argentino que manifestava desprezo aos índios e aos negros. Não aceitava a disciplina militar e destratava os mesmos cubanos, como o negro Juan Almeida, que mais tarde seria Ministro das Forças Armadas. Mas Fidel Castro percebeu a sede de sangue que o estrangeiro tinha. Diferente dos seus homens, cujo patriotismo e religiosidade conservava alguns aspectos de respeito aos soldados do exército cubano que estavam prestes a combater.
Fidel Castro usou Guevara enquanto foi útil aos seus próprios intuitos ditatoriais. Fidel Castro comprou os comandantes do Exército Constitucional cujas unidades se entregavam, maioria das vezes, sem combate. Seu ponto forte foi a propaganda e a arrecadação de recursos financeiros da elite cubana e dos americanos cansados dos métodos de Batista, e de simpatias internacionais. A mídia norte americana “encarregou-se de forjar a imagem dos valorosos revolucionários” da Sierra Maestra.
“No dia 1 de janeiro de 1959, o regime de Batista caiu principalmente pela corrupção de suas forças, que aceitavam dinheiro de Fidel Castro para retirar-se sem luta...”
Logo após a fuga de Batista, os comunistas passaram a apoiar Fidel Castro e em pouco tempo a verdadeira face do regime revelou-se, na face de Guevara, o grande promotor da violência, assassinatos, tortura e prisões. Castro o senhor e Guevara o vassalo no reinado de terror imposto aos cubanos. Fidel Castro utilizou o instinto sanguinário do argentino como meio para alcançar seus fins, enquanto Guevara acreditava que a “violência revolucionária” era a melhor forma de manter o poder e “desde o começo, ligou-se ao aparato repressivo do bloco soviético, transportando a metodologia comunista para o cenário cubano.”
O homem que é cultuado por líderes de minorias raciais, hippies, alternativos e jovens, tinha, na verdade, uma mentalidade racista, patriarcal, despótica e arrogante, desprezando negros, jovens, “cabeludos”, música – enfim, tudo aquilo que, dizem as esquerdas e desinformados em geral, Guevara simbolizaria.


Em 1958, o Presidente Juscelino enviou uma carta ao Presidente Eisenhower, demonstrando que o desenvolvimento “econômico e social da América Latina” era um problema político e estratégico para a segurança dos Estados Unidos. Propunha a “Operação Pan Americana” porque a propaganda comunista neste continente criava animosidades para com os EUA. A mensagem era: "Ajudem-nos ou não poderemos resistir ao comunismo!"
Em Janeiro de 1959, os guerrilheiros chegavam ao poder em Cuba. No Brasil, Juscelino tocava seu plano de “Avançar 50 anos em 5”. A indústria automobilística alemã, norte-americana e outras empresas multinacionais começaram a chegar, abrindo postos de trabalho e com isenção de impostos por 10 anos... Em Cuba, depois de fuzilar alguns milhares, sem julgamento, Guevara fechava fábricas e recebia os soldados russos. Nikita Kruschov gritava lá da URSS: “Se vocês atacarem Cuba, mando mísseis sobre Nova Iorque!
O guerrilheiro “comandante Marks, “o açougueiro” era um bandido sentenciado nos EUA e tornou-se, por sua ferocidade, homem de confiança e padrinho de casamento de Guevara. Era o encarregado dos tiros de misericórdia depois dos fuzilamentos. Foi substituído pelo “comandante” Ramon Mercader, o mesmo que tascou um machado na testa de Trotsky, por ordem de Stalin. Matar vicia! O jornal New York Times, repetiu exatamente o que já tinha feito, na década de 1930, encobrindo os crimes do regime de Stalin.
Enquanto isso, milhares de brasileiros se deslocavam em “paus de arara” por estradas de terra, migrando de todo lado para trabalhar na construção de Brasília ou nas fábricas de São Paulo. Asfalto só havia mesmo na Dutra, entre São Paulo e Rio. Mas sobrava orgulho, entusiasmo, fé e esperança em dias melhores. Em Cuba, Guevara enviava aqueles guerrilheiros que chegaram a Havana estuprando e saqueando, “como revolucionários” para matar inimigos na Republica Dominicana, Haiti, Panamá, Nicarágua... onde foram dizimados. E surgiam as Ligas Camponesas no Brasil, financiadas por Cuba! A URSS armou Cuba com ogivas atômicas. Crise! Os russos retiram as ogivas negociando com os EUA que a ilha não seria tocada. Só então, Kennedy lançou a “Aliança para o Progresso” numa reunião em Punta del Este, um programa de desenvolvimento com muita grana, para manter a América fora da influência comunista. Guevara estava em Punta del Este. Em seu discurso criticou a proposta de Kennedy. Logo depois foi recebido por Frondizi, Presidente da Argentina. De Buenos Aires foi para Brasília onde Jânio Quadros o condecorou com a “Ordem do Cruzeiro do Sul”.
Uma semana depois, Jânio renunciava sob fortes ataques. Frondizi foi derrubado sete meses depois. E mais tarde, Kennedy foi alvo do atentado em Dallas. Todos queriam as Américas como bloco democrático e desenvolvido. Depois de muito matar e desorganizar a economia de Cuba, Guevara lançou na Conferência Tricontinental, em Havana, seu grito de guerra para acabar com o imperialismo mundial, espalhando a guerra de guerrilhas em todos os continentes seguindo o exemplo de Cuba e do Vietnam.
Fidel começava a fritar seu concorrente. Como não podia dar bilhete azul ao argentino que já não era útil em Cuba, onde entrava em rota de colisão com outros membros do governo. Aquele concorrente em popularidade, que se dizia “sedento de sangue”, santificado pela mídia européia e norte americana, abandonou Cuba e à frente de alguns soldados cubanos para fazer guerrilha no Congo. Fracassou. Foi expulso da África.
Mas Castro não o queria de volta. Então reuniu em Havana os chefes e representantes de todos os grupos armados que atuavam nas Américas num seminário que chamou “Organização Latino Americana de Solidariedade”. Guevara estaria no comando da guerra de guerrilhas “em algum lugar da América do Sul”. Fidel sabia que os “comandantes” guerrilheiros no Brasil, na Venezuela, na Colômbia, no Peru, no Equador, eram tão incapazes militarmente quanto Guevara. Que não contavam com recursos, nem ajuda das populações.
Mas aquela jogada era excelente para a propaganda cubana. E uma maneira de realizar finanças entre simpatizantes americanos, europeus e cobrar mais benesses da União Soviética. Naqueles dias uniam-se as estratégias de longo prazo dos controladores mundiais: o Kremlin, Londres, Pekim, ganhavam tempo com a violência espalhada e a instabilidade das economias menores, enquanto elaboravam os planos de globalização econômica.
Aquelas guerrilhas que entusiasmaram tantos jovens, resultaram no descrédito da metodologia guevarista. Logo após fracassar no Congo, ele morreu na Bolívia, abandonado pelos comunistas, abandonado por seu companheiro Castro. A “tão falada habilidade tática e estratégica encontra-se guardada junto com seus demais méritos, ou seja, na propaganda”, mobilizando a imprensa e intelectuais da Europa e das Américas. O mito cresceu para o consumo, gravado até em biquíni desfilado por Gisele Bundchen.
E esta mesma propaganda, abraçada pela “guerrilha” do PT, mobiliza jovens universitários, camponeses pobres e ongs para defender o socialismo no Brasil, defender o bolivarianismo, defender as FARC, a cocaína e a maconha. Depois do panamericanismo, os poderosos dos EUA contaram com Fernando Henrique, Luis Inácio e outros brasileiros no “Diálogo Interamericano” para defender com unhas, dentes e muita grana, seus interesses por aqui.
O Conselho de Relações Exteriores (CFR) domina a imprensa. As fundações Ford e dezenas de institutos continuam espalhando a guerrilha cultural e ideológica, nas Universidades, no cinema, na tv... e no guevarismo lulista, agora com grana e apoio internacional.
Fontes de referência:
- Artigo de Paulo Zamboni, no site “midia@mais;
- Humberto Fontova, “O verdadeiro Che Guevara, e os idiotas úteis que o idolatram” – Editora “É Realizações”, São Paulo;
- Rev. Bras. Polit. Int. vol. 51 nº 2 Brasília July/Dec. 2008, Antonio Carlos Lessa
Arlindo Montenegro é Apicultor.
Fonte: Alerta Total
COMENTO: quando vejo um jovem com a estampa d"El Chancho" estampada no peito fico incomodado pensando se o fato se deve a uma espécie de fanatismo ideológico ou simples ignorância sobre a real história do personagem, e ao mesmo tempo me pergunto que outra imagem, fora as religiosas, um jovem dos dias de hoje poderia estampar em seu peito se os heróis pátrios modernos são satanizados na mídia. Poderia alguém andar com a imagem de Médici, Fleury, Walter Pires, Newton Cruz, Curió, Lício Amorim, Ustra ou qualquer um dos muitos que lideraram a vitória na luta contra a peste vermelha, sem ser taxado de nazista, torturador, louco, e até mesmo acusado em processo por apologia ao crime? Enquanto isto, proíbe-se o cigarro e ministros marcham a favor da maconha. Qualquer coisa que faça menção positiva ao exército alemão é considerada propaganda a favor da matança de seis milhões de judeus, mas as manifestações populares contra o "cumpanhêro" Ahmadinejad, reeleito com mais de 60% de votos computados no mesmo dia das eleições, são "choro de perdedores". Por outro lado, o infame símbolo da foice e do martelo cruzados, representativo dos crimes de Stalin, Mao, Pol Pot, Fidel e outros, é propagandeado de todas as formas possíveis, até mesmo nas bandeiras e logotipos oficiais de partidos políticos brasileiros. Povinho de merda!!!
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