quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Castelo Era Um Cassino

por Carlos Chagas
Parecia segredo da máfia ou silêncio daqueles que só se vê por parte do dos moradores das favelas do Rio, quando ninguém admite falar sobre a mais recente matança verificada entre traficantes e a polícia. Não havia, em São João Nepomuceno e adjacências, quem desse detalhes sobre o funcionamento do castelo do deputado, pronto há cinco anos. Todo mundo calava, no município, por medo de represálias ou por participação, mesmo indireta, nas atividades do magnífico imóvel.
Enfim, alguém levantou a ponta do tapete, fosse um menino denunciando a nudez do rei, fosse um empregado demitido sem indenização.
A verdade é que o castelo era um cassino. Claro que também um hotel.
A ninguém seria dado imaginar que Edmar Moreira havia construído aquela maravilha apenas para morar. Nem Ricardo Coração de Leão ousaria tanto.
O que as autoridades mineiras precisam esclarecer, se quiserem e se puderem, é sobre o dia exato da inauguração, no mínimo cinco anos atrás, e por quanto tempo o castelo funcionou com roletas, panos verdes e sucedâneos. Algum imposto foi recolhido ou só propinas cruzavam os ares das Gerais? Cidadãos do município e das cidades vizinhas eram empregados? E os freqüentadores, de onde provinham e quanto de seu rico dinheirinho teriam deixado lá?
Em toda essa história de horror, onde nem mesmo falta aparecer o Drácula, um inquérito se torna imprescindível. Bem como a óbvia solução de que para não deixar o castelo apodrecer, sua imediata desapropriação para transformação num hospital-modelo, numa universidade-padrão ou num avançado centro de estudos. O governo federal e o governo de Minas dispõem dessa prerrogativa. Motivos não faltam. Agora, é preciso agir rápido, antes que alguma dessas singulares igrejas evangélicas faça o lance, compre o castelo e o transforme em templo sabe-se lá do quê...
COMENTO: Carlos Chagas é um excelente jornalista mas me parece que, quando escreveu o texto acima estava tomado por uma crise de ingenuidade. Qual autoridade vai querer mexer mais nessa cáca? Qual receptor de propina vai falar qualquer coisa? Qual otário que tenha perdido dinheiro (certamente mal havido) por ali vai mostrar a cara? Afinal, o tal Edmar ainda é deputado, suas dívidas não serão pagas e seus processos continuarão engavetados "ad etenrnuum". Afinal, ele é da "base do governo". É pouco???

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