sábado, 6 de setembro de 2008

De Igual

por Dora Kramer
A linguagem solta e a abordagem livre sobre qualquer tema - sem a menor preocupação com restrições de cerimonial - dão ao presidente Lula uma enorme vantagem em relação aos demais personagens do primeiro time da política.
Em compensação, não lhe dão o direito de pedir respeito quando se dirigem a ele como fez o goleiro Júlio César, aborrecido com as críticas de Lula aos jogadores da seleção brasileira de futebol.
"Vai morar na Argentina. Renuncie à Presidência e talvez o Brasil melhore em alguma coisa", disse o jogador, em estado de descortesia explícita.
Mas é difícil cobrar do esportista um pingo de educação para com o presidente da República se o próprio não se preocupa com a altura dos padrões.
Três dias antes, por exemplo, dissera em ato oficial que pensava que o mar fosse salgado "por causa do xixi que as pessoas fazem aos domingos nas praias".
Quando a conversa chega nesse ponto, o respeito não pode mais ser exigido porque já foi atirado no lixo.

Fonte: O Estado de São Paulo - 6 Set 08
COMENTO: Efetivamente uma grande descortesia e manifestação de falta de educação do jogador Julio César. Os argentinos, apesar de sua arrogância e antipatia, não merecem que se rogue uma praga dessas contra eles!!!!

A PROPÓSITO

CBF queima Júlio César.

Nota emitida pela CBF, isolando Júlio César por ter criticado Lula e impondo, de certa forma, a lei da mordaça na Seleção. 
Quem é Rodrigo Paiva, o "pelego"da Nike na Seleção, para falar em nome de todos os jogadores?
Declaração de um jogador não expressa a opinião dos demais integrantes da Seleção Brasileira
A CBF esclarece que o episódio das críticas feitas pelo presidente Lula à Seleção Brasileira, e que foi destaque nos jornais neste sábado, foi divulgado de uma maneira que absolutamente não reflete a opinião de todos os jogadores e integrantes da Seleção. 
Ao contrário, o técnico Dunga e diversos jogadores que deram declarações sobre o assunto manifestaram claramente ter entendido o direito que o presidente Lula tem de expor o que pensa sobre a Seleção Brasileira, sejam as opiniões favoráveis ou não. Pelo mesmo motivo, em um país em que há liberdade de imprensa e reconhecimento ao direito de expressão, deve ser entendida a declaração do goleiro Júlio César, ainda que todos os jogadores e integrantes da comissão técnica da Seleção Brasileira não concordem com o seu teor.
Rodrigo Paiva
Chefe de Comunicação da CBF
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Atualizando: Cheira à politicagem da pior espécie, com pressões de ministros e cartolas, obrigar um jogador a retirar críticas feitas a um presidente imbecil, que mete o nariz onde não é chamado para ofender profissionais. Lula fez isto contra professores e jogadores de futebol, apenas nos últimos três dias. O goleiro da seleção brasileira, Júlio César, foi obrigado a se arrepender das declarações contra Lula e pressionado a pedir desculpas. Teve que dar entrevista convocada pela assessoria de imprensa da CBF, que na verdade é exercida por um funcionário da Nike. Mas Júlio César não deixou barato: "Eu aproveito publicamente para pedir desculpas ao presidente. Mas se ele fizesse isso também, acho que seria legal da parte dele. Dá uma ligada aqui para o Dunga ou Ricardo Teixeira e peça desculpas".

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