terça-feira, 26 de agosto de 2008

Seu Garzón, o Senhor é um Fanfarrão!

por Reinaldo Azevedo
Recebi hoje algumas dezenas de comentários, no tom que vocês podem imaginar, "esfregando na minha cara", como disse um dos mais exaltados, as palavras do juiz espanhol Baltazar Garzón, que defende, na pratica, a revisão da Lei de Anistia brasileira. Segundo o valente, os homens são cidadãos do mundo, e o estado espanhol tem o direito de decretar a prisão de qualquer torturador, em qualquer parte do planeta! Ele está no Brasil a convite do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, um notório revanchista.
Parece tão justo o que ele diz, não? Há tantos trouxas que caem na sua conversa... Com que desassombro este iluminista espanhol vem jogar luzes no país da bugrada, não é mesmo? Quem converteu Garzón em autoridade mundial, em frente avançada do Tribunal Penal Internacional? Procurei saber se o homem já havia decretado a prisão do assassino e torturador Fidel Castro. Não. Não decretou, não.
Fiz a conta dos mortos das ditaduras por cem mil habitantes. Fidel castro é 435,86 vezes mais assassino do que os generais brasileiros, que encheram de metáforas humanistas a conta bancária de Chico Buarque. E atenção: o número é esse, caso se considerem apenas as 17 mil assassinadas em terra firme. Outras 78 mil morreram tentando fugir do vagabundo. Contadas as 95 mil vítimas fatais do Coma Andante, ele matou 730,76 pessoas por cem mil habitantes. A ditadura brasileira se contentou com 0,3 por cem mil, o que significa que Fidel matou 2.436 vezes mais do que os generais brasileiros. Não! Eu não ignoro nem faço pouco das vítimas. Repudio ditaduras. Frei Betto e Vannuchi é que rezam para Fidel sobre cadáveres. Niemeyer é que ergue edifícios de empulhação ideológica sobre os corpos. Chico Buarque é que verte o seu lirismo em meio aos mortos.
Mas isso seria ficar fazendo conta sobre cadáveres. Não é uma coisa muito saudável. O que me interessa são os processos políticos, que resultam em pacificação. Como foi que a Espanha saiu de uma ditadura fascistóide e aderiu à democracia? Com revanche? Mandando os partidários ou herdeiros do franquismo para o banco dos réus? Quando Franco morreu, Garzón tinha 20 anos. Ele é da geração que se beneficiou com a transição pacífica.
Voltemos ao exemplo quase vivo: Fidel Castro. Mais dia, menos dia, a ditadura na ilha acaba. E qual é o melhor caminho para lhe pôr termo? Metendo em cana os que serviram aos porões do regime? Será essa a escolha? Garzón, por acaso, decretou a prisão de todos os agentes dos estados socialistas que torturaram e mataram no Leste Europeu e na União Soviética? Ora, meu senhor, deixe de conversa mole! Permita que os países sigam a trilha que foi tão útil à Espanha.
E notem: quando evoco esses exemplos, não estou tentando distribuir culpas para igualar responsabilidades, de um lado e de outro, à direita ou à esquerda. Estou afirmando que os países fazem escolhas e constroem realidades políticas que lhes permitem avançar — ou retroceder.
Garzón não tem autoridade funcional, histórica ou moral para nos dar lições. As duas primeiras, não as terá nunca. A moral, ele pode tentar: decrete a prisão de todos os facínoras do planeta — e sugiro que, espalhafatoso como é, comece pelas ditaduras islâmicas. Assim que o primeiro xeique árabe meter o pé em seu país para ver como andam os investimentos, Garzón aparece lá com o seu crachá de, como é mesmo?, "policial planetário", em defesa dos "cidadãos do mundo". Ou o cosmopolitismo humanista não assiste aqueles que vivem nas masmorras de Alá?
Já é quase um clichê, mas não resisto: "Seu Garzón, o senhor é um fanfarrão!"
PS: Aceito, claro, que alguém explore falhas na minha argumentação desde que:
- o autor me prove que a Espanha puniu os torturadores do franquismo;
- o autor prove que Garzón decretou a prisão de ditadores de esquerda;
- o autor prove que Garzón decretou a prisão dos ditadores islâmicos.
Comentário na "Fonte":
Cesar Krieger - País de Capachos e Traidores IP:189.63.153.xxx | 24-08-2008 23:47:32
Para termos altivez devemos ser brasileiros antes de sermos direitistas ou esquerdistas.
Imaginem os senhores, como seria recebido um juiz brasileiro que fosse à Espanha propor a punição dos crimes da ditadura franquista. Em primeiro lugar não passaria da alfândega, e antes de ser deportado por ingerência na justiça espanhola, seria acusado pela esquerda e pela direita, de ir semear a discórdia na Espanha.
Enganam-se os que pensam que esse juiz é de esquerda, na verdade ele é um egocêntrico que acha sua autoridade judicial está acima das “colônias” do hemisfério sul.
Ele somente solicitou a prisão do Pinochet porque sabia que o Chile não tinha esquadra para fazer uma visita a Londres ou aos portos espanhóis;
Agora ele vem para cá, porque sabe que a nossa oligarquia preza mais o primeiro mundo que o nosso próprio país. E sabe também que nossa esquerda está cheia de oportunistas que adoram ir à Europa dizer que não temos democracia.
Se ele tivesse um mínimo de dignidade ele poderia:
- Ir á França e pedir a punição dos responsáveis pelo massacre de argelinos em Paris em 17/10/1961;
- Ir aos EUA e pedir a punição para os crimes contra os presos de Guantánamo e Abu Graib;
- Ir à Inglaterra e pedir a punição de policiais ingleses que torturaram irlandeses na década de 70;
- Ir a Israel e pedir a punição dos torturadores de palestinos;
De qualquer modo, ele poderia, pelo menos, ir a Washington e Tel Aviv pedir que sejam revogadas as leis que permitem a tortura. Duvido que não fosse deportado quando abrisse a boca!
Mas ele não vai fazer nada disso, porque se ele se meter com os crimes do primeiro mundo o Rei vai mandar ele se calar.
E pedir a prisão de comunistas entre os antigos políticos russos (atuais empresários), ou chineses nem pensar, ele sabe que esses países têm milhares de bombas e a Espanha nenhuma.
Em Cuba ele não vai por dois motivos, em primeiro porque seria deportado quando abrisse a boca, em segundo lugar porque vários grupos espanhóis são sócios dos hotéis de luxo de Varadero, e quem controla esses hotéis é o exército cubano, que poderia não querer mais sócios espanhóis.
Este país necessita de mais brasileiros esclarecidos e menos direitistas ou esquerdistas.
Saudações patrióticas.


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