segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Brasíu, iu, iu, íu...

SEJAMOS EGOÍSTAS; ESQUEÇAMOS O BRASIL! 
PARA O BEM DO BRASIL E DOS EGOÍSTAS
Ainda não parei para ler a respeito, confesso: não sei se o Brasil vai ter – ou está tendo – mais medalhas ou menos do que nos jogos passados. Meu esporte predileto é levantamento de xícara de café. Ouvi o escarcéu que Galvão Bueno fez por causa de uma medalha de ouro na natação. E como chorava o nadador! Ok. Estava emocionado. Agora vi Diego Hipólito cair de bunda no chão. Chorou também. Lágrimas na vitória ou na derrota. Ele pediu desculpas aos brasileiros. Eu não aceito. Não aceito porque ele não me deve nada. A parte que me cabe, eu devolvo. Precisamos parar com essa frescura de achar que os atletas são representantes do povo. Não são! São representantes de si mesmos. E o “país” só vai ter alguma importância nessa área quando as ambições dos competidores forem estritamente egoístas. Se Diego Hipólito nos devesse desculpas, Michael Phelps nadaria em nome da América. Só que ele nada por si mesmo. A América que se dane. Mesmo ganhando os parabéns de Bush. Quem liga? Ele?
Ah, não me venham os especialistas falar sobre como se fazem campeões: sim, investimentos, patrocínio, seleção rigorosa dos pequeninos etc. Eu não entendo nada de esportes. Sei que ou brilham nessa área os Estados Unidos, com o culto ao individualismo — o sujeito se dedica a competir e considera inaceitável perder —, ou brilham as ditaduras: o perdedor é eliminado da história. Não se vive da adulação do esforço coletivo e piedoso, ainda que inútil. O Brasil parece dar pirueta “com a comunidade”; fazer ginástica “com a comunidade”, esforçando-se para levar ao pódio a, se me permitem o gracejo, "média medíocre". Não dá certo.
Há ainda algo a indagar: por que os brasileiros choram tanto quando ganham uma medalha? Você vê americano chorando? Acompanho os jogos de longe tanto quanto possível — e é quase impossível. Phelps está o tempo inteiro com aquela arcada dentária toda torta à mostra, um olhar meio perturbado pela obsessão. Choro? Nunca vi. Não só isso: é pôr o microfone na boca dos nossos atletas, a primeira coisa que fazem é agradecer à mamãe. Um jogador do vôlei teve um filho. Suas primeiras palavras: “Quero agradecer à minha mãe, e espero dar ao meu filho o mesmo que recebi...” Tá bom! Mas a parturiente do dia era outra, né? Sim, numa perspectiva psicanalítica, há quem diga que nós, os rapazes, sempre nos casamos com nossas mães (os casamentos bem-sucedidos), mas convém cortar esse aleitamento materno-espiritual dos esportes. Ou nem toda grana do mundo vai fabricar campeões.
Seja na política, seja nos esportes, seja nas artes, há um culto ao paternalismo e à desproteção sincera, emocionada e esforçada. Lembro do filme Central do Brasil, que fez um sucesso danado. Aquele garotinho em busca do pai era o país em busca da paternidade, como se fosse desprotegido e procurasse o demiurgo de suas fantasias. Ele acabou aparecendo. Agora, a “mãe” já começa a subir no palanque. É o pai do povo, a mãe do PAC, e a gente de bunda no chão.
Diego caiu! Não deve pedir desculpas a ninguém. Tivesse ganhado a medalha de ouro, os méritos, benefícios e honras da conquista seriam só seus. Como Phelps e sua penca de medalhas. Não há melhor receita de sucesso do que ser egoísta e esquecer o Brasil. Melhor para os egoístas e melhor para o Brasil.

EDUCAÇÃO SENTIMENTAL
Escrevi ontem um texto, que reproduzo abaixo, sobre essa bobagem de transformar os atletas em representantes do “povo” e sobre a mania nacional de chorar copiosamente ao ganhar ou não ganhar uma medalha, com os atletas sempre muito gratos à “minha-mãe-que-me-deu-tudo” (admitindo-se, aí, a variante “minha família”). Uma frase exemplar pode se juntar a esse coquetel de sentimentalismo que conforta os derrotados: “A maior vitória é estar aqui”. Não é, não! Objetivamente, a maior vitória, todo mundo sabe, é ganhar a medalha de ouro. O “estar aqui” apenas atende a um chamado da mediocridade adulada. “Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor” (pesquisem depois sobre essa maravilha!).
Muita gente concordou com o que escrevi; outros detestaram — e as restrições educadas foram publicadas. Vetei os malcriados e os burros, que não entenderam a natureza das minhas observações e me acusam de ter sido desrespeitoso com o pedido de desculpas de Diego Hipólito ou com o choro convulsivo de Cesar Cielo, ambos em pólos expostos no que diz respeito ao objetivo pretendido.
"Desrespeitoso" por quê? Estou fazendo a minha parte para tirar o peso dos ombros desses rapazes, afirmando sem ressalvas: “Vocês não nos devem nada. Não representavam os brasileiros; não foram eleitos para coisa nenhuma. Em condições adequadas, a superação de limites é tarefa apenas individual, que nada deve ao coletivo.” Desrespeitoso e, como direi?, meio moralmente tarado é querer abrigar o “herói” ferido com palavras de piedoso incentivo — espécie de “Madona dos Impotentes” (a expressão é de um livrinho tão antigo...) — ou usurpar coletivamente glórias privadas. Será que estou escrevendo algo tão exótico?
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Queridos, longe de mim querer decretar o fim das expressões individuais de dor e alegria. Ao contrário: busco preservá-las da captura interessada de uma espécie de “cultura” — que, bem..., como tudo, é também política — do sentimentalismo, que, notem bem, vem a ser o justo oposto da dor ou da alegria mais genuínas. Estou convencido de que essa industrialização das emoções faz mal ao Brasil e aos brasileiros, ainda seduzidos pelo clichê derrotista de que “o importante é competir”, quando o fundamental é vencer.
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Eu apenas recomendei que se tire um pouco de alma — individual ou coletiva — das braçadas e dos saltos ginásticos. Ela atrapalha. Vamos ganhar muito se aprendermos a deixar o sentimento para as quatro paredes ou a folha em branco, que abrigam ilusões clandestinas e corações descompassados.
Fonte: leia texto completo em: Reinaldo Azevedo - 17 e 18 Ago 08
COMENTO: Há tempos percebo como cretinice da imprensa, particularmente da televisiva e de forma mais intensa no caso da "Grande Irmã", o exercício de "criar" ou "derrubar" heróis, conforme os interesses (leia-se patrocínios, contratos "por fora" ou jornalistas que também são empresários, "merchandising", etc.). Temos exemplos recentes: "O Baixiiinho RRRomaáario"; "RRRonaaaaldo Fenômeno"; Zagalo; Maguila; RRRRubiiiinho Barichelo, substituídos na "paixão" por Felipe Massa, e outros esportistas que quando rendem boa audiência são "nomeados" como "o Brasil de chuteiras", "o Brasil no pódio" e outras hipocrisias mas, ao terem algum percalço em suas carreiras são "esquecidos", jogados no ostracismo, ou até mesmo criticados de forma contundente. Quantos brasileiros sabem que nos EUA existe uma categoria de automobilismo (Fórmula Indy) em que concorrem sete brasileiros, alguns já campeões na categoria e outros com excelente desempenho?? E o povão sendo induzido a "apaixonar-se" cada vez mais pelo "esporte bretão". É só comparar com atenção o espaço dedicado ao futebol e aos demais esportes nos "cadernos de esporte" de todos os jornais do país.
Concordo plenamente com o autor do texto acima. Na hora do patrocínio (verba, dindim, bufunfa), o privilégio é do futebol. Quem fiscaliza os recursos da CBF??? Quem fala sobre as "anistias fiscais" dadas a clubes de futebol inadimplentes com o fisco?? Quem questiona a "timemania"?? Em compensação, como foi citado acima, os atletas dos outros esportes tem que "se virar" para treinar, sobreviver, e até para viajar para competir. O Ministério dos Esportes é só para empregar a cumpanherada (e isto, diga-se a bem da verdade, não é coisa do desgoverno lulista, já vem de há muito tempo), planejar e gastar com empreendimentos gloriosos (vide o superfaturamento em todos os sentidos ocorrido nos "investimentos" dos Jogos Panamericanos, particularmente em segurança).

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