segunda-feira, 17 de março de 2008

A Irmã do Ministro e sua Inocente Organização

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A mídia anunciou que, numa sessão especial em homenagem ao Dia da Mulher, a Comissão de Anistia aprovou, no dia 07/03/2008, o pagamento de indenizações de anistiado político para sete mulheres militantes da luta armada. São elas: Clara Charf, mulher de Carlos Marighela, fundador da ALN, Ação Libertadora Nacional, uma das mais violentas organizações subversivas; Ana Wilma Moraes; Beatriz Arruda; Estrella Bursztyn; Halue Yamaguti; Maria Socorro de Magalhães; e Nancy Mangabeira Unger, irmã do ministro das Ações de Longo Prazo, Mangabeira Unger.
A ministra Nilcéa Freire (Secretaria Especial de Políticas para Mulheres) participou da sessão. Adelina Dematti Alaye, uma das mães da Plaza de Mayo, de Buenos Aires (Argentina), também estava presente.
Segundo parte da mídia, o histórico dessas senhoras é o seguinte:
— Clara Charf, "com a morte de Marighela, em 1969, exilou-se em Cuba";
— Ana Wilma Moraes, "foi presa e torturada em 1969 e ficou 92 dias presa";
— Beatriz Arruda, "exilou-se no Chile e só voltou com a anistia";
— Estrella Bursztyn, "era estudante e militante e foi torturada entre 1970 e 1973";
— Halue Yamaguti, "era costureira e militante do PCB e foi torturada pela repressão" ;
— Maria Socorro de Magalhães, "foi presa em Pernambuco, em 1972, submetida a sessões de tortura por horas"; e
 Nancy Mangabeira Unger, que teve o polegar da mão direita decepado por um tiro de fuzil".
Clara Charf declarou na sessão de julgamento que: "ninguém pode negar que temos hoje uma liberdade democrática graças às lutas do passado". Clara Charf, hoje, trabalha no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e articula a rede Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo. Ela receberá uma pensão continuada e vitalícia R$ 2.500,00. Nós sabemos, ninguém pode negar, que as lutas do passado, incentivadas pelo seu marido, visavam a implantar no Brasil uma ditadura comunista, tendo como modelo Cuba. A luta de Marighela para conseguir seu intento vinha de antes de 1935.
Nancy Mangabeira Unger, irmã do ministro Mangabeira Unger, irá receber prestação única de R$ 100 mil. O processo de Nancy foi relatado pela conselheira Suely Belato, que deu parecer favorável. O caso foi aprovado por unanimidade. Nancy foi uma das presas trocadas pelo embaixador suíço Enrico Bucher, seqüestrado por organizações subversivas de esquerda, no dia 07/12/1970. O embaixador ficou seqüestrado durante 40 dias. Segundo a mídia, durante a sessão, Nancy Mangabeira Unger se emocionou e elogiou a decisão do presidente, Paulo Abrão, em criar o memorial da anistia e disse: “É uma forma de os jovens conhecerem essa história do passado".
Seria interessante que Nancy Mangabeira Unger relembrasse, no momento da sua emoção, porque foi presa e o que a fez perder parte do dedo indicador. Já que ela não se recordou, a mídia investigativa deveria ter tentado levantar os motivos que a levaram a ser presa e ser mutilada. Com isso, lembrariam as vítimas da ação da organização terrorista a que pertencia Nancy Mangabeira Unger — o PCBR .
Para nós, esses históricos sucintos que a mídia publicou são bem mais extensos.
Vejamos uma parte do histórico da organização de Nancy Mangabeira.
Comecemos pelo assassinato do tenente Mateus Levino dos Santos, do qual ela participou ativamente
Com a queda de vários membros da direção e de militantes importantes, o PCBR, que atuava com mais intensidade no Nordeste, resolveu seqüestrar o cônsul dos Estados Unidos, em Recife, para trocá-lo por subversivos presos. Logo começaram os levantamentos dos hábitos do cônsul e escolheram os participantes da aventura. Para a ação, necessitavam de um Volks branco, que deveria ser roubado, pois os Volks brancos eram muito comuns na época. No dia 26 de junho de 1970, encontraram o carro que queriam, em Jaboatão, na Grande Recife, próximo ao Hospital Militar. Pensaram que o roubo seria fácil, mas não foi. O grupo de ação era constituído por: Nancy Mangabeira Unger, responsável pelo Grupo Armado de Propaganda (GAP); Carlos Alberto Soares; José Gersino Saraiva Maia; José Bartolomeu Rodrigues de Souza; e Luiz (Jacaré), nunca identificado. Todos estavam num único carro, dirigido por Nancy. Ao avistarem o desejado veículo, os quatro saltaram e Nancy os aguardou ao volante. Tentaram render o motorista e este reagiu. Carlos Alberto Soares não pestanejou, disparou à queima-roupa, atingindo Mateus Levino dos Santos, tenente da Aeronáutica, na cabeça e no pescoço. O tenente Levino, após nove meses de intenso sofrimento, faleceu em 24 de março de 1971, deixando viúva e filhos menores. O seqüestro do cônsul nunca chegou a ser realizado.
Nancy Mangabeira Unger, se honesta fosse, relembraria o passado. Vamos avivar a sua memória. No dia 16 de julho, 20 dias depois do assalto ao tenente, os Órgãos de Segurança chegaram a um "aparelho" na rua Jandaia, 37, em Afogados, Recife. Naquele momento, apesar da reação dos terroristas, foram presos Francisco de Assis Barreto Filho, Vera Maria Rocha Pereira e Nancy Mangabeira Unger, ocasião em que foi ferida e perdeu parte do polegar da mão direita. Nancy saiu do país, por exigência do PCBR, com outros 69 presos, em 13/01/71, em troca da vida do embaixador suíço, seqüestrado por militantes terroristas da esquerda revolucionária.
Vamos relembrar, a seguir, um pouco mais o que fez a organização a que pertencia Nancy Unger.
Em 17 de abril de 1968, os integrantes da Corrente Revolucionária fundaram o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), realizando a sua 1ª Conferência Nacional. Durante mais de cinco anos o PCBR praticou uma série de atos que atemorizaram a sociedade brasileira. Dentre eles:
— Em 07/09/68, durante a madrugada, lançou uma bomba no palanque armado para o desfile militar, na Avenida Conde de Boa Vista, em Recife;
— Em 24/09/68, assalto à Companhia de Tecidos do Norte — Fábrica Tacaruna, em Olinda. No assalto foi ferido o funcionário Gedeão Caetano da Silva, de 56 anos, o que lhe causou uma lesão permanente em uma perna;
— Em 31/10/69, Nilson José de Azevedo Lins, de 23 anos, foi morto durante o assalto à firma Cornélio de Souza e Silva, distribuidora da Souza Cruz;
— Em 17/12/69, assalto ao Banco Sotto Mayor, na Praça do Carmo, subúrbio de Brás de Pina, no Rio de Janeiro. Na fuga, obstados por uma viatura policial, Avelino Capitani matou o sargento PM Joel Nunes;
— Em 18/12/69, Antônio Prestes de Paula, no estouro de seu “aparelho”, ao fugir pelos fundos, matou com um tiro à queima-roupa o soldado do Exército Elias dos Santos;
— Em 13/02/70, assalto ao Banco da Lavoura de Minas Gerais, em Icaraí, Niterói;
— Em 16/03/70, assalto ao carro de transporte do Bank of London, em Fortaleza;
— Em 25/03/70, assalto ao Banco da Bahia. Na fuga feriram o guarda Zacarias Bispo da Silva Filho e o escrivão Tibúrcio Souza Barbosa, que perdeu as funções do braço direito;
— Em 11/09/70, assalto ao Banco do Brasil, em Maranguape, no Ceará.
— Assassinato do sargento Walder Xavier de Lima — 27/10/1970
Em 27/10/70, Getúlio de Oliveira Cabral (Gogó), Theodomiro Romeiro dos Santos (Marcos) e Paulo Pontes da Silva, do PCBR, “cobriam um ponto” na Avenida Vasco da Gama, em Salvador, quando, de um jipe, desceram quatro agentes que lhes deram voz de prisão. Getúlio conseguiu fugir, sendo perseguido por um dos agentes, trocando tiros. Theodomiro e Paulo foram presos, sendo colocados no banco traseiro do jipe. O pulso direito de Theodomiro foi algemado ao pulso esquerdo de Paulo. Na pressa de ajudar um companheiro, que se esquivava dos tiros de Getúlio, os policiais não revistaram a pasta de Theodomiro. Os três agentes subiram no veículo e conduziram-no por uns 30 metros em direção aos tiros, para auxiliar na captura de Getúlio. Nesse intervalo, Theodomiro retirou um revólver .38 da pasta que portava e, com a mão esquerda, atirou pelas costas no agente que saía do jipe. Morria ali, traiçoeiramente assassinado, o sargento da Aeronáutica Walder Xavier de Lima, deixando viúva e dois filhos menores. Ato contínuo, Theodomiro deu mais dois disparos, ferindo o agente da Polícia Federal Amilton Nonato Borges, sendo posteriormente dominado. Pelo crime Theodomiro foi condenado à morte, pena comutada para prisão perpétua e, posteriormente, para oito anos de prisão. Em 17 de agosto de1979, teve sua fuga da penitenciária da Bahia facilitada, sendo encaminhado para a Nunciatura Apostólica, em Brasília, onde pediu asilo político e obteve salvo-conduto para o exterior. Depois de passar alguns anos em Paris, Theodomiro regressou ao Brasil, em setembro de 1985. Recebido como herói, declarou que iria filiar-se ao PT e que não se arrependia do ato que havia praticado. Atualmente, Theodomiro é juiz do Tribunal Regional do Trabalho, em Recife/PE, e presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho (AMATRA VI).
Outras ações do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário — PCBR:
— Após as “quedas” de dezembro de 1972, que atingiram a cúpula dirigente do PCBR, três militantes assumiram o Comissariado Nacional Provisório, conhecido como o 3º Comando Central: Ramires Maranhão do Vale, Ranúsia Alves Rodrigues e Almir Custódio de Lima. Estruturado somente na Guanabara para ações armadas, o PCBR contava apenas com esses militantes, reforçados por Vitorino Alves Moutinho;
— Em 05/02/1972, atuando “em frente” com a ALN e a VAR-Palmares, a organização participou do “justiçamento” do marinheiro David Cuthberg, julgado e condenado pelo tribunal vermelho, por representar o “imperialismo inglês”;
— Em 25/02/73, o PCBR, atuando em “frente” com a ALN e a VAR-Palmares participou do traiçoeiro assassinato do delegado Octávio Gonçalves Moreira Júnior, em Copacabana, Rio de Janeiro. Pelo PCBR, participaram Ranúsia e Ramires;
— Em março de 73, Ramires e Vitorino foram a Porto Alegre, onde, “em frente” com a ALN e a VAR-Palmares, assaltaram, no dia 14, o Banco Francês e Brasileiro;
— Em 04/06/73, assalto ao Bob’s, de Ipanema, Rio de Janeiro;
— Em 23/07/73, “justiçamento” de Salatiel Teixeira Rolim (Chinês), membro fundador do PCBR;
— Em 29/08/73, assalto a uma clínica na Rua Paulino Fernandes, em Botafogo, Rio de Janeiro;
Anos mais tarde, com a anistia e a volta ao Brasil de Apolônio de Carvalho, Antônio Prestes de Paula e vários outros militantes, pôde o PCBR reestruturar-se, atuando, segundo a revista IstoÉ, de 05/08/1987, infiltrado no PT.
Fonte:  Ternuma
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